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Tecnologia, consultoria e projetos de estruturas
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Informativo eletrônico INTERESTRUTURAS nº 002 - Junho de 2005
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2. Artigo técnico - Patologias em revestimentos de argamassa |
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® INTERESTRUTURAS - Todos os direitos reservados (49) 442-2748 / 9989-2748 fernando@interestruturas.com.br Produzido por [Fernando Rafael Hollerweger] Todos os direitos reservados
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1. VI Simpósio Brasileiro de Tecnologia de Argamassas
O evento
A importância do estudo das argamassas
A argamassa de cimento, areia, cal e aditivos, ainda é o sistema de revestimento externo mais utilizado no Brasil. Observa-se novos revestimentos utilizando pedras decorativas, cerâmica, vidro e alumínio, porém, o revestimento mais tradicional e barato é o de argamassa com pintura acrílica. Devido a forte exposição aos gradientes térmicos e todos os fatores climáticos desfavoráveis, os revestimentos de argamassa sofrem ataques constantes e sucessivos. As patologias surgem, e os sistemas utilizados possuem, infelizmente, vida útil muito curta. De uma maneira conjunta, envolvendo pesquisadores e construtores, é necessário ampliar os estudos e criar o hábito de efetivamente realizar o controle tecnológico dos revestimentos. Muita atenção se dá ao concreto estrutural, aos sistemas construtivos das lajes, vedações, coberturas, e porém, os revestimentos externos na maioria das vezes, não recebem a atenção necessária. Muito foi discutido no evento, sobre a eficácia e o teor das Normas Técnicas em vigência, com relação às argamassas e tecnologias de revestimentos. É concenso de que as Normas precisam de revisão com urgência, pois muitos parâmetros não estão sendo especificados, e quando especificados, apresentam prescrições inadequadamente generalizadas. Realmente é muito difícil encontrar uma edificação sem patologias nos revestimentos externos e isso preocupa os pesquisadores. Devemos começar a aplicar os resultados encontrados nos trabalhos de pesquisa, utilizar as tecnologias conhecidas e como resultado, executar revestimentos isentos de patologias e com consequente maior vida útil, ou pelo menos reduzir sensivelmente o aparecimento das mesmas.
As impressões
Foi apresentado no primeiro dia do evento, um estudo de caso do revestimento externo do edifício WEST SIDE, em Alphaville, na cidade de São Paulo, executado pela construtora SINCO. O prédio tem aproximadamente 150 metros de altura e isso exigiu o desenvolvimento de tecnologias adaptadas ao caso. Ficou claro na apresentação, a importância da elaboração de um projeto específico para os revestimentos externos.
No edifício apresentado no estudo de caso, foram feitos os chamados painéis protótipo, no pavimento térreo, para testar as tecnologias, traços, espessuras e sequências de procedimentos de aplicação. Pode-se ainda ensaiar os revestimentos antecipadamente quanto a resistência ao arrancamento e abrasão da superfície. Os painéis protótipo, são simples e baratos de fazer, e podem garantir o desempenho adequado do sistema adotado.
O uso de painéis protótipo indica a necessidade do desenvolvimento de argamassas específicas para determinadas obras e regiões. É prova de que não podem ser aplicadas argamassas iguais em regiões distintas, com gradientes térmicos muito diferentes. É necessário desenvolver tecnologicamente, argamassas específicas para determinados usos e determinadas regiões. Aqui fica o alerta para o uso de argamassas industrializadas desenvolvidas generalizadamente para uso em qualquer região, e inclusive para várias aplicações diferentes.
Foi frisada a importância da necessidade de rastreabilidade tanto de produto quanto de mão de obra nas fachadas. Efetuando o mapeamento de produto e mão de obra, é possível, durante a inspeção, para cada tipo de falha encontrada, planejar uma ação corretiva, através de retreinamentos, ou até mudanças nos procedimentos.
As falhas mais comuns encontradas nos revestimentos externos são fissuras (dos mais variados tipos), espessuras inadequadas e falta de aderência ao substrato. No caso dos problemas de aderência, os mais graves ocorrem em superfícies de concreto. Quanto maior o fck do concreto, maior é a dificuldade em promover a aderência do revestimento. Nestes locais a aderência deve ser conseguida através de aditivos, ou até, pinos de ancoragem do reboco com o substrato de concreto.
As interfaces entre alvenaria e estrutura também são locais propícios ao surgimento de fissuras. Nestes casos muitas podem ser as causas. A estrutura de concreto pode estar com problemas no dimensionamento apresentando deslocamentos excessivos. A aderência promovida nas interfaces pode estar insuficiente. Os pontos de encunhamento também se apresentam muito frágeis.
As fachadas sempre possuem pontos críticos, que estão sujeitos aos esforços mais agressivos. Cantos de janelas, é um exemplo, onde devem ser previstas vergas e contra-vergas. Além disso, nestes locais, há quem defenda o uso de telas no reboco, evitando o surgimento de fissuras.
Em edifícios altos pode existir a necessidade da verificação da deformação axial de pilares, devido ao elevado carregamento que estão submetidos. A deformação axial vai promover um encurtamento da peça, podendo gerar problemas nos revestimentos externos.
É imprescindível elaboar projetos de revestimentos externos, localizando juntas de dilatação, sistemas adotados na execução e selamento das juntas, enfim, descrevendo a tecnologia a ser adotada. Um projeto de revestimentos deve conter:
a) Procedimentos detalhados envolvendo todo o processo;
b)
Foi muito comentado o uso de andaimes suspensos motorizados (balancins). É de conhecimento de todos que a condição de segurança dos andaimes suspensos utilizados para execução dos revestimento externos é precária. E por este motivo, muitos engenheiros e fiscais de obra, na verdade, não sobem no andaime para verificação dos serviços executados, ficando muitos defeitos agragados em serviços entregues e não efetivamente conferidos. O uso de balancins motorizados permite a acesso a todos os pontos da fachada, e quantas vezes forem necessárias, auxiliando muito a conferência e inspeção dos rebocos externos.
A flexibilidade dos revestimentos, depois de endurecidos, é umas das propriedades mais importantes na intenção de eliminar as patologias. Aditivos estão sendo desenvolvidos para conferir mais flexibilidade para as argamassas. A própria cal tem a função de tornar mais flexível a argamassa depois de endurecida. Tanto a cal quanto os aditivos, além de conferir mais deformabilidade, melhoram a trabalhabilidade da argamassa no estado fresco.
Alguns dados estatísticos interessantes:
90% das argamassas industrializadas são colantes do tipo AC-I 5% das argamassa utilizadas para revestimentos são industrializadas
A tendência do mercado é para o uso de argamassas industrializadas. A garantia de homogeneidade ao longo da obra, a facilidade de manuseio e a redução dos desperdícios são os principais motivos. Porém, não se deve esquecer que o produto deve ter as propriedades necessárias, exigidas pela obra e pela região.
Colaboraram:
Eng. Fernando Rafael Hollerweger Especialista em estruturas pela UPF - Universidade de Passo Fundo Mestrando em estruturas no Programa de Pós-graduação em Engenharia Civil da UFSC Diretor técnico da INTERESTRUTURAS Tecnologia, consultoria e projetos de estruturas
Esp. em estruturas pela UPF – Universidade de Passo Fundo Responsável Técnico da Kerbermix Engenharia e Materiais www.kerbermix.com.br - rodrigo@kerbermix.com.br
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Patologias nos revestimentos de argamassa
Quando olhamos para uma edificação e ela tem algum defeito como trincas ou fissuras elas podem ter diversas origens e se situarem em diversos locais. Os problemas podem ser de fundação, estrutura, interface estrutura/alvenaria, interface alvenaria/emboço, interface estrutura/emboço, interface argamassa de assentamento/elemento de vedação, traço da argamassa, aplicação, entre outros. Como visto são diversas as causas e muitas vezes não nos preocupamos com a origem do problema e somente em como consertá-lo. Algumas causas responsáveis de boa parte destas patologias são: a interface alvenaria/emboço, interface estrutura/emboço e interface alvenaria/estrutura. Estas causas, com algum critério e cuidado, podem evitar grandes aborrecimentos com as patologias que originam.
INTERFACE ALVENARIA/ESTRUTURA
O problema da interface alvenaria/estrutura ocorre quando a alvenaria é feita depois da estrutura, e é facilmente entendido devido a grande diferença de módulo de elasticidade dos materiais constituintes. Aos menores gradientes térmicos são observados trincos neste ponto. Para evitarmos problemas nesta região devemos tomar alguns cuidados. O chapisco é imprescindível, pois a carência de aderência neste ponto é grande. Este chapisco deve ser feito com areia grossa e de preferência uma areia de forma irregular. (ex.: areia industrial). Na parte superior da alvenaria deve ser executado, além do chapisco, o encunhamento. Quando a alvenaria for de blocos de concreto e o encunhamento é dificultado, recomenda-se utilização de argamassa expansiva acima da ultima fiada. Quando o concreto for pré-moldado recomenda-se maior cuidado devido às faces serem mais lisas e de as estruturas sofrerem maiores deformações devido a menor rigidez das ligações. Este melhor cuidado pode dar-se com a introdução de conexões de ferros nas fiadas. São as chamadas “aranhas” ou “ferros cabelo”.
INTERFACE ALVENARIA/EMBOÇO
Esta interface pode ser dividida em 2 partes: Interface alvenaria/chapisco - Após a alvenaria estar limpa, isenta de poeira e com superfície saturada seca (observada através do tato ou com auxílio de um jornal seco), deve ser aplicado o chapisco. O chapisco serve neste caso para promover uma melhor ligação entre as partes e evitar o descolamento. Para um melhor desempenho do chapisco recomenda-se uma cura por aspersão de vapor de água logo após sua aplicação. Interface chapisco/emboço - Aplicado e curado o chapisco, executa-se a argamassa de emboço. As propriedades que são observadas são principalmente trabalhabilidade e adesão. São propriedades que estão relacionadas. A adesão depende de vários fatores e dentre eles a reologia. Outros seriam a energia de aplicação, sucção da base e a compatibilidade com a base.
INTERFACE ESTRUTURA/EMBOÇO
Todos os cuidados que devem ser tomados na interface alvenaria/emboço, aqui devem ser redobrados. O substrato estrutura é muito mais difícil de promover boa aderência. Isto ocorre devido principalmente ao nível de porosidade de um concreto em relação a uma alvenaria, e sabe-se que um dos fatores que promovem a adesão é sucção do substrato que é conseqüência da porosidade. Com o aumento das resistências dos concretos, a porosidade dos mesmos diminuiu, dificultando assim as aderências das argamassas. Cuidados maiores devem ser tomados ao ponto que concretos com fck maior que 30 MPa o substrato deve ser apicoado antes da aplicação do chapisco. Para prédios de alturas elevadas os revestimentos aplicados a estruturas nos pavimentos inferiores devem levar em consideração ainda fatores como encurtamento de pilares. Todos estes cuidados podem ser tomados, mas nada substitui um bom projeto de revestimento que vai prever todos os diferentes substratos e interfaces, bem como suas deformações, estudado de uma forma inteligente e integrada.
Esp. em estruturas pela UPF – Universidade de Passo Fundo Responsável Técnico da Kerbermix Engenharia e Materiais www.kerbermix.com.br - rodrigo@kerbermix.com.br
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3. Curso de mestrado em Estruturas na UFSC
No início do ano de 2005, iniciei o curso de mestrado na área de estruturas na Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC. O cronograma das atividades deverá ser bastante flexível, porém a idéia inicial será cumprir as 6 disciplinas até o final do primeiro semestre de 2006 e elaborar e defender a tese até o final do ano de 2006.
Durante o período das disciplinas ocorrerão muitas viagens, porém o atendimento continuará sendo da melhor maneira possível.Informo também que toda a infra estrutura de atendimento continua normal. As visitas continuarão conforme necessidade e prévio agendamento.
O curso de mestrado na área de estruturas, agrega muito conhecimento aos projetos, possibilitando acesso a renomados professores, permitindo a troca de informações e idéias, enriquecendo muito a análise estrutural e os detalhamentos. A sofisticação que existe hoje na utilização de softwares para análise estrutural requer muito conhecimento e capacidade de saber modelar corretamente o que se deseja bem como interpretar de maneira correta os resultados.O curso de mestrado faz parte da idéia de melhoria constante na elaboração e apresentação dos projetos fornecidos pela INTERESTRUTURAS.
O programa do curso se baseia em trimestres, sendo que o primeiro do ano de 2005 já foi encerrado no dia 20 de maio. Estamos no momento no segundo trimestre de 2005. As disciplinas oferecidas dependem das disponibilidades dos professores da Pós-Graduação. As disciplinas cursadas no primeiro trimestre foram:
ECV4300 - Fundamentos de mecânica dos sólidos e teoria da elasticidade Prof. Roberto Caldas de A. Pinto
ECV4303 - Análise matricial de estruturas Prof. Henriette Lebre La Rovere
A disciplina em andamento agora no segundo trimestre é o Método dos Elementos Finitos Para Análise de Estruturas, também ministrada pela professora Henriette. O MEF, como podemos abreviar, é de extrema importância na teoria da análise estrutural, pois possibilita a modelagem e análise de estruturas de qualquer forma, com qualquer carregamento e com quaisquer condições de contorno. Com os avanços tecnológicos dos computadores pessoais, este método vem sendo largamente utilizado para analisar estruturas das mais variadas tipologias.
Você pode acessar a página oficial da Pós-graduação da Engenharia Civil da UFSC, através do link abaixo. Acesse e obtenha mais informações sobre o mestrado em Engenharia Civil na UFSC.
Eng. Fernando Rafael Hollerweger Especialista em estruturas pela UPF - Universidade de Passo Fundo Mestrando em estruturas no Programa de Pós-graduação em Engenharia Civil da UFSC Diretor técnico da INTERESTRUTURAS Tecnologia, consultoria e projetos de estruturas
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